segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Castelo de Natas


Era uma vez... uma princesa do povo sem a notoriedade ou a riqueza de uma princesa normal. Uma pessoa que não é sequer princesa... e que vive num castelo de natas. Natas tão bonitas quanto frageis e inseguras. Batidas pelo coração e mantidas firmes pela alegria.

Alguém que ainda não aceita que não existe felicidade plena e que por vezes quando se atira o cabelo da torre bem alta o resultado não é o sonhado mas sim o que o mundo à volta deixa acontecer.

Dessa falta de aceitação sobra apenas o medo de falhar e sofrer as consequências. E minutos de vontade de voar para o sítio onde não existe melancolia ou incapacidade. Um sítio neutro onde nada provoca emoções. Onde ficamos em estado vegetativo e não existe memória, sentimentos, alma...

Aqui neste lugar e momento só me apetece cortar o meu cabelo e me isolar até que ele cresça novamente, enquanto assisto sentada à mudança das estações. Inerte. Sossegada. Uma espectadora que não entra na história de fadas nem conhece os intervenientes.

Pode ser que o frio do inverno conserve o meu castelo de natas...