sexta-feira, 20 de junho de 2008

Há dias assim...

Hoje não consigo sentir alegria. Só me apetece chorar, cair e deixar de sentir. Me refugiar em algum sítio e não ver ninguém. Estou num sítio cheio de gente de aspecto bonito e bem tratado e no entanto só me apetece desaparecer. Eu não pertenço aqui. Cada vez mais me convenço que não pertenço em lado nenhum... Estou farta de vez em quando ter que descer lá ao fundo e encontrar lá todos os meus fantasmas do passado. Todos perfeitamente organizados e catalogados.

Quando começo a ficar assim, os ventos começam a agitar-se e é o princípio de algo que nunca sei se será bom ou mau... o pior é que tudo é acompanhado de sonhos quase premonitórios e pressentimentos. Quando é que posso ter um pouco de paz de espírito? Não mereço. Se calhar é isso.

A minha vontade é de fugir, e não ver caras, ouvir vozes, nada... Não consigo lidar com o que me incomoda ou magoa por parte de quem amo. O problema é que fico de tal forma desorientada que encaro as brincadeiras e chamadas de atenção como desprezo, e tudo isso me traz à memória o que mais me magoou... E aí isolo-me. Deixo de sentir. Entro num mundo estranho onde tudo é quase à prova de som e onde tento de todas as formas isolar a imagem, o cheiro, o pensamento. Onde imagino ser outra pessoa qualquer, esta sim feliz, controlada, sem medo!
Estranho é facilmente me deixar atingir. Perder com pouco a vontade de sorrir. Só me apetecer desistir. Me apetecer fazer as malas e ir - estranhamente não para a casa da qual tenho tantas saudades, para o pé de quem tanto amo, mas para outro sítio qualquer e ficar por lá até que o ar se acabe ou a vida desvaneça...


terça-feira, 17 de junho de 2008

The party that is not

Welcome to London!!! Diz-me uma voz que embora familiar já me parece distante. Guardada num cantinho da minha memória que já parece meio esquecido. Onde habitam momentos, acontecimentos e descobertas feitas de pessoas.

Sou conduzida e apresentada a este mundo novo que mesmo estranho, rapidamente se entranha. Aqui ninguém é ninguém e eu sou apenas eu. Se quiser gritar, grito! Ninguém sequer repara. É bom sentir na pele um anonimato com quase um sentido de "I do not give a shit". Só aqui estou para ser eu mesma, para ser aquilo que não posso ser amanhã. Para estar no meio de todos e apenas sentir (finalmente me dar ao trabalho de sentir) a energia que paira no ar e que pára em mim e fica, como que um zumbido que trespassa o corpo e por momentos faz o tempo parar, onde a regra está em aproveitar cada milésimo de segundo desse momento. Aí somos reis do mundo, e ninguém nos pára!

Tudo se conclui num grupo de pessoas que não se conhecem de lado nenhum e que aparecem num determinado lugar, num determinado espaço temporal - numa organização tão extrema que faz inveja ao próprio governo!

No meio de isto tudo estou eu. Pastorinha in wonderland. Descubro que da vida alternativa nada sei. Sou uma completa ignorante. Principalmente porque pensava que sabia. Anda meio mundo a dormir. A arriscar criticas e dizeres sem sequer lá estar ou ter estado.

Incrível, é conseguir encontrar a Rita, o João ou o Yoshimi, o Peter ou o Wladimir, o Jacques ou a Maria, todos na mesma sintonia e na mais perfeita das organizações dentro de uma sociedade que descrimina e pune este tipo de festas. Talvez porque nunca lá tenham ido! Ou vistam de tal forma a pele do "eu que não sou eu" que no dia a seguir à alegria infligida passar, pura e simplesmente não se lembrem. Autênticos lobos em pele de cordeiro - e eu é que sou a pastora!

Há quem descreva este tipo de acontecimentos alternativos como: "the modern generation's answer to the more Utopian world of Eighties raves" - esta geração já não tem idade, cor ou nacionalidade. Quer apenas se libertar. Não interessa como, onde ou através de quê. E sabem mais de respeito que a maior parte das pessoas - sabem honrar espaços e opiniões. Percebem que se a Rita e o Peter querem saltar e gritar naquele espaço de tempo, podem! Porque está no direito deles e fazem aquilo que lhes apetece. Porque tem compreensão suficiente para perceber que amanhã acordam e voltam á rotina tal como no dia anterior.

Não digo, melhor, digo e confirmo que nem toda a gente acordou sempre no dia a seguir. Há sempre quem cometa excessos e nunca volte á vida normal ou sequer acorde. Mas na vida "não alternativa" isso também não acontece?
A Wonderland é por vezes feita de surpresas. Como todas as surpresas, umas são boas, outras são más. Há que aproveitar as duas. Para um dia olhar para trás e dizer pelo menos "quero isto, isto decididamente não quero".

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Estou feliz!


Que bom saber que te vou olhar de novo, te abraçar, dar beijinhos e simplesmente te dizer te amo. Te pedir desculpa por não te ter dito antes o quanto te admiro, o quanto desejo ter metade da tua coragem. Com apenas metade da tua força conquistava o mundo.
Tu e só tu és exemplo de VIDA. És mulher, vida, mãe coragem.
E sabes que mais? Já falta pouquinho, para te abraçar com toda a força e carinho que mereces.

Não podemos cortar asas...

Pois, pois... dói muito quando há a possibilidade de vermos quem amamos ir para longe de nós. Mas ninguém tem o direito de impedir a possibilidade de conhecer novos caminhos. Por mais que te ame, é minha função te incentivar a ir em frente! Por mais que custe ou magoe.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Multiplicicidade de cumplicidades


Hum... Camden Camden...
Como entrar noutro mundo. Gente, culturas, objectos, gastronomias, mais objectos. PESSOAS, muitas, mais e mais. Sons... inglês, italiano, francês, espanhol, o meu bom português, alguns que nem identifico.
O rasta man a cantar Bob Marley (how nice) ao pé daquela ponte que mais parece de encantar. Apaixonei-me. E quando isso acontece... não há nada a fazer!