Sentada observo o que me rodeia... Mensagens já meio apagadas pelo tempo que revelam a estagnação de um lugar. Deste lugar onde me sento agora. Sinto um arrepio por perceber que já lá vai algum tempo e eu continuo aqui.
Cada bocado de energia que em mim habita já não tem sequer vontade de exercer qualquer função. Fui infectada por uma doença qualquer que só atinge lugares cinzentos - ao ponto de ter ataques de raiva e choro e fazer birra tal como quando tinha cinco anos de tenra idade. É extremamente frustante perceber que a sociedade onde ocupamos um lugar nos exige um comportamento aceitável que não queremos. Um sorriso forçado ou uma simpatia cínica. Que saudades de poder desculpar o meu mau comportamento por causa da idade. É nestas alturas que me lembro do meu amigo universitário "polite" e das suas crises de mal dizer (com palavras bem portuguesas no meio) - repetindo o quanto o aliviava tal proferir de simples coisas como o filho da senhora de profissão duvidosa ou do Carvalho.
Para ser completamente sincera, a única coisa que ás vezes me sossega um pouco o espírito é saber que á noite tenho um abraço amigo - o único neste sítio - e esquecer que deste lugar estranho levo apenas experiências e o verdadeiro sentido da palavra saudade.
E que saudades de casa. Do cheiro de terra molhada da minha aldeia. Do sol a tocar as minhas costas enquanto fazia coisas simples tal como estender roupa. Do cheiro a mar. Das minhas amigas lindas e sempre com algo novo para dizer, que alegravam os meus dias . Dos meus amigos excêntricos e ricos de saber e experiências. Da minha mãe e tudo que dela faz parte. Do meu irmão, menino e Homem bonito.
Porra que saudades do meu lugar...