Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

"Até já"

Está a chegar a hora de novo "até já". Frase prolongada no tempo e repetida sempre que se acaba algo. Um momento. Um sorriso. Uma vida. É uma forma de não dizer adeus. De esquecer a saudade. De encurtar o tempo e reduzir a ausência.
Mais uma vez o vou dizer. De coração partido e cheia de ausência de vontades. Com a consciência que tem que ser dito e com a certeza que não o quero fazer. Não quero dizer "até já" ao cheiro da minha aldeia. Ao sorriso da minha mãe. Ao riso malandro do meu irmão. Ao calor do meu sol que me alegra e conforta. Ao cheiro a mar da minha cidade, que encerra nas suas centenas de anos a pureza de ser simples. De ser feliz com tão pouco.
Custa cada vez mais a despedida. Como se uma parte de mim, aquela que nos dá identidade, ficasse encerrada numa caixinha de música que abre apenas quando chego a minha casa. Quando sinto o cheiro doce das minhas árvores de fruto, quando sinto o cheiro dos lençóis de algodão carinhosamente colocados pela minha mãe...
Não quero ir.

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